PETER SIEMSEN em resposta à carta que lhe foi encaminhada pelo tricolor Kadu Palhano.
Kadu,
Em vez de responder ponto a ponto, vou fazer um resumo dos principais itens mencionados por você, com o cuidado de não expor situações que possam prejudicar o FFC tendo em vista que são muitas pessoas copiadas.
Boatos
Não é novidade na política do Fluminense e na relação Flu/Unimed por algumas razões, como: As pessoas que lá estiveram querem voltar e outras querem experimentar. Portanto, quando o clube vive uma situação difícil, eles apertam para que possam criar alguma oportunidade. Com relação à Unimed, tb é normal, pois trata-se de uma cooperativa que tal qual o clube tem eleições e tem bastante atividade política. Como o modelo existente deixa a critério da cooperativa o nível de investimento a ser feito e tradicionalmente são feitas contratações de peso (as vezes muito eficazes e outras que não dão certo), criou-se uma enorme expectativa que esse caminho fosse infindável. Só que mesmo para a Unimed tem um limite. Neste ponto, é importante lembrar que o ideal é ter um elenco composto de algumas estrelas e mesclá-las com os garotos vindos da divisão de base. Vale lembrar que a própria Unimed fez grandes investimentos em construção de PÁS e do novo hospital. Portanto, passamos por um momento de transição do elenco. Felizmente os garotos da base estão aparecendo e podem nos ajudar a construir o time do ano que vem. O jeito do presidente da Unimed é aquele que vocês já conhecem e cabe a quem estiver no comando do Fluminense saber lidar com isso, recuperando o clube e construindo futuro. Enfim, saber tirar o melhor proveito possível do projeto Flu/Unimed.
Situação Financeira e Econômica
Não é novidade que o Flu tem uma situação econômica muito boa e uma situação financeira muito ruim. Em 2 anos o déficit diminuiu consideravelmente (chegando a quase zero no ano passado), a divida cresceu menos do que a correção (o Flu passou de 2ª maior dívida para a 5ª colocação), a receita vem crescendo de forma exponencial e os recebíveis são de boa qualidade e em grande quantidade. Por outro lado, a parte financeira está muito ruim em decorrência de uma situação inusitada, injusta e ilegal que nos foi imposta pela PGFN Rio e que eu vou contar em breve. Foiuma sacanagem contra qual estamos lutando há meses.
Para vocês terem uma idéia, o Flu pagou 65 milhoes de dívidas que já se encontravam ajuizadas nos tribunais; pagou 26 milhões de tributos correntes; fora dívidas como 17 milhões no clube dos 13; 6 milhões de parcelamentos tributários e, ainda assim, só estava faltando pagar 10 milhões dos 31 milhões de dividas fiscais que foram contraídas depois do timemania (entre 2007 e 2010), quando a PGFN Rio nos excluiu do parcelamento do Timemania.. A exclusão foi justamente quando realizamos as vendas de atletas em julho e que dava muito mais do que os 10 milhões que ainda faltavam, pois 21 já tinham sido penhorados. E ainda nos permitiria colocar os tributos de 2013 e os salários em dia. Essa história tem muito mais para ser contato e será em breve.
Os atrasos de salários têm ocorrido de fato em 2013 e ninguém tem escondido, decorrente da situação acima citada. No momento, estamos com 1 mês e meio de salários de jogadores atrasados, porém quase todos recebem a maior parte da remuneração do patrocinador e os que recebem 100% do Flu estão com 1 mês atrasado. Os funcionários com salários mais baixos estão em dia. A premiação foi recebida 50% referente a parte da Unimed (como patrocinadora, faz parte do patrocínio). Os outros 50% foram penhorados pela divida fiscal mencionada acima.
Só para deixar claro, o Flu não usou nenhum dinheiro da Unimed, muito menos de premiação. Pelo contrário, repassou todos os valores referentes aos direitos econômicos que pertenciam à Unimed dos jogadores vendidos. Cada tem cuidado da sua parte.Por falar em projeto Unimed, todo o mercado de patrocínio de times cresceu muito, ainda mais com a entrada da Caixa, portanto, o nosso diferencial tem que ser cada vez mais a eficiência no gasto do dinheiro com jogadores e comissão técnica. Não da mais para fazer 27 contratações em um ano, como já foi no passado.Situação esportiva do time profissionalEu de fato resisti à contratação do WL, mas depois que conversei com ele duas vezes, entendi que poderia ser uma saída para a transição que deveria começar ou até mesmo deveria ter começado. Na 4ª, ainda que por necessidade, foi uma demonstração de que podemos ter um time formado por jovens da base e por jogadores experientes e vitoriosos como referência. Para um clube como o Flu, é a formula ideal (em minha opinião). É claro que isso tem que ser feito com planejamento e não por necessidade emergencial.
Entendo que o CB tem as razões dele para não fazer grandes investimentos por hora.
Acredito que o WL vai conseguir encontrar um equilíbrio para esse grupo e vai saber extrair o melhor que puder. Como estamos mudando o perfil do time, trazendo mais juventude e velocidade, porém menos experiência, é natural que haja alguma instabilidade de desempenho. Ninguém estava satisfeito com a fase de derrotas.Encontrar o equilíbrio entre o projeto com a Unimed e o crescimento da base é o ponto fundamental para preparar o futuro, até mesmo para o dia que a Unimed não continuar, seja por qual motivo for.
Com relação ao CB e a mim, cada um tem um foco e seu próprio papel, pois o Flu precisa seguir sua reestruturação e já foi muito prejudicado no passado por não construir futuro e não cumprir compromissos. Como não queremos mais isso, tenho dedicado todo o meu foco a solução do enfrentamento com a procuradoria, acredito que seja a última das situações em que o clube não foi respeitado.
De qualquer forma, tenho uma boa relação com o CB e quando é preciso, nos encontramos.
O clima de vestiário e entre os jogadores é muito bom. É claro que as derrotas fizeram o clima ficar pesado, pois nenhum deles gosta de perder. Temos que saber enfrentar os momentos ruins e saber controlar a euforia nos bons momentos.
Divisão de base e projeto internacional
Apesar das dificuldades enfrentadas na área financeira em 2013, temos uma excelente equipe de profissionais que vêm desenvolvendo um grande projeto. Estamos formando muitos jogadores de qualidade e em todas as seleções sub temos vários jogadores. Além disso, o projeto de acompanhamento e captação está funcionando muito bem. Assim como, estamos conseguindo fazer vendas de jogadores vindo da base ou mesmo ainda na base para manter o ciclo e até acelerá-lo para que este seja o caminho para o Flu reduzir as diferenças de receitas para clubes que estão na maior cota da TV.
O Projeto internacional está ainda na fase inicial, mas já temos jogadores jovens em diversos países, jogando para ganhar experiência ou gerarem recursos. Todo esse trabalho não é para resultado imediato, ainda que algumas situações tenham sido bem rápidas e os resultados já colhidos.
É um trabalho para maturar em 5 ou 7 anos. Os atletas da base têm participado de torneios internacionais continuamente, o que permite amadurecê-los técnica e psicologicamente.
Enfim, o cuidado com Xerém é muito grande e o projeto internacional dos jovens, se for mantido, trará grandes resultados para o Flu. Porém, tem que ter espaço também no time profissional do Flu para os meninos subirem.
Os interesses do clube no planejamento da base são: resultado esportivo no nosso time profissional; valorização do ativo e conseqüente geração de receita; divulgação da marca Fluminense como garantia de qualidade do atleta produzido em Xerém. Por isso, atletas da base devem sempre, ser primeiro ou segundo reserva do time principal, quando não forem titulares. Caso contrário, é melhor expor em outra vitrine, de modo a permitir que sejam vistos e com isso geradas novas receitas para novos investimentos.Infra estrutura
Laranjeiras, quem conhecia em início de 2011 e agora vai à área do treinamento profissional, vê uma grande transformação, ainda que não seja para ser a casa definitiva do futebol profissional. A qualidade de trabalho melhorou muito.
Já recebemos o terreno de cerca de 40 mil metros quadrados próxima a av Ayrton Senna, entre a Barra e Jacarepaguá. Estamos em via do obter a licença para construção (a pendência é sobre quem ficará responsável pela construção da rua, nós ou a prefeitura). O investimento já está viabilizado, somente aguardando a solução fiscal. Certamente será um pulo muito grande em termos de profissionalismo e modernização.
Xerém avançou muito. Quem for visitar vai ver que estamos finalizando o último campo (este de grama sintética). Reformamos tudo. Só falta fazer o nosso novo vestiário e construir um pequeno prédio de 2 andares junto aos campos para trazer a área técnica para baixo e liberar a 2ª ala para ampliarmos a capacidade de hospedar jovens atletas.
Museu novo e moderno.
Valorização da história, incluindo lançamentos de livros de momentos importantes. Construção do bar temático da Brahma, ainda com uma operação deficiente por para da AmBev (o franqueado é dela). Estamos lutando para mudar a operação do Bar.
Sócio futebol
Foi criado o sócio futebol, democratizando o clube, o uso da carteira como ingresso, etc. Só não deu para fazer grandes ou mesmo pequenos investimentos em campanha por conta da situação financeira de 2013. Porém, está tudo funcionando. A carteira já funcionará no Maracanã a partir do jogo com o Santos.
Maracanã
Jogamos os dois primeiros anos da gestão sem estádio, o que gerou uma receita mínima de ingressos. O acordo com o Maracanã veio a criar uma proteção importante para o clube nos momentos difíceis e a ajudar a reduzir a estrutura de pessoal para organização de jogo. Ainda incluiu vestiário próprio, loja, sala para atendimento do sócio, lado permanente, etc. Nos quatro primeiros jogos, faturamos em receita metade de todo o ano passado.
Novo Patrocínio
Ainda acho que a Unimed é a melhor opção, mas trabalhei para que o Flu construísse futuro para que o dia que não for possível seguir com a parceria, por qualquer motivo que seja, o clube esteja preparado para enfrentar o mercado.
Caso seja possível resolver a exclusão do timemania em breve, o Flu terminará o ano com as constas em dia, um déficit próximo de zero, com o início das obras do novo CT, etc. Portanto, neste caso, poderá seguir sua vida sem depender de ninguém, ainda que com um custo mensal para pagto das parcelas das dividas muito alto. Que poderá ser reduzido em caso de a solução do problema fiscal sair, quando os recebíveis estiverem disponíveis, obtendo dinheiro de forma mais barata e comprando dividas que tenham custo financeiro alto (trabalhista por exemplo).
Em resumo, o ideal é Flu e Unimed juntos e saudáveis, só que ninguém sai da situação em que o Flu se encontrava de forma impune.
Jackson
È um importante braço direito. Acabei com a sala só do presidente para ter uma sala com uma grande mesa de reunião para todos os vices e o presidente. Despacho diretamente com o gerente de cada área do clube e, é claro, muito com o Jackson que é o diretor geral do clube. O Jackson em geral cuida da parte operacional do clube.
As negociações comercias estratégicas do clube eu tenho feito pessoalmente, incluindo aí TV Globo, Fornecedor de material esportivo, CBF, obtenção da cessão do terreno da prefeitura, fiscal e Maracanã, entre outras. No caso do Maracanã, teve a participação do Cadu (responsável pela parte de evento jogo) e do Jackson na reta final para evitar um conflito ético pela entrada da IMX na negociação (minha cliente). O Jackson é responsável pelo dia a dia do clube, incluído a parte política que é bem complicada (tipo: receber o pessoal da sauna, do tênis, as senhoras do Rotary, do tiro e representantes de grupos políticos e de Tos. Ele não tem contato com o CB e o contato com o futebol profissional é relativo ao controle do orçamento e do caixa do clube, caso contrário, a situação sairia do controle.
Definitivamente, ele não articula nada de rompimento com a Unimed, assim como a Flusócio, tão criticada pelos que querem o poder e tem medo do poder de mobilização que ela tem, também não articula chapa única, entre outros mitos criados.
O trabalho do Jackson é muito duro, assim como o meu. Pegar o clube como nós pegamos o Flu e termos avançado tanto, é realmente algo que me deixa muito orgulhoso. Alem disso, o clube tem outras pessoas incríveis ajudando bastante. Aliás, nesse mercado ter pessoas tão dedicadas e honestas não é fácil. Tenho um agradecimento e orgulho muito grande por estar tendo essa experiência com eles.
Futuro
Da primeira fase do Flu, só falta superar o gravíssimo problema criado pela PGFN Rio.
O clube social e olímpico ainda gera déficit e o sistema conjunto de gestão não é o ideal. É como vender pipoca e Mercedes na mesma empresa e na mesma loja. Não dá para ter funcionários atendendo aos dois, pois o salário referencia vem do futebol e por isso metade do tempo não se paga. O Certo seria fazer uma separação de forma organizada, que permitisse os Eos se administrarem e fazerem uso de projetos incentivados. O futebol tem que ser administrado com marketing, caixa, etc. debaixo do mesmo chapéu. O executivo do futebol tem que integrar essas outras áreas, pois esse descasamento causa prejuízo e muita dificuldade de funcionamento.
Para o futuro deveríamos ter como objetivo um gestão do negocio futebol integrando todas as áreas relacionadas, de forma eficiente, com metas e indicadores de desempenho, enxuta, com a missão de produzir os melhores jogadores e ter o melhor desempenho esportivo. Só assim vamos nos diferenciar dos que tem potencial atual de receita maior do que o nosso.
Acredito que se tocarmos o projeto internacional dos jovens de forma adequada, será um componente importante para a formação dos atletas e uma fundamental fonte de receita. Estamos aguardando a finalização da questão fiscal para responder a propostas de parceiros que querem fazer um grande investimento no projeto. É um projeto que tem chamado muita atenção na Europa.
Na área comercial e marketing, precisamos investir na associação, negociar a criação da rede de loja (aguardando a renovação antecipada da Adidas ou outra possibilidade no mercado) e lutar por uma posição melhor nas cotas da TV.
Pessoal
Não tenho nenhum apego pessoal ao cargo, pelo contrário dificilmente você me vê falando de mim ou me vangloriando da posição. Para mim, sempre o importante é o Fluminense ter sucesso, seja eu estando na arquibancada, como presidente, ou mesmo vendo na TV.
Não fosse gestões que não aproveitavam a parceria com a Unimed para estruturar o clube e que acumulavam insucessos administrativos que estavam comprometendo qualquer futuro pós Unimed, provavelmente eu nem seria presidente. O meu grande prazer aqui, é vencer os desafios e deixar um legado para que o clube possa crescer e ser independente. Portanto, não penso em eleições e nem em política e sim em construção de futuro. De nada adianta tudo isso, sem que a questão fiscal não seja resolvida.
A minha comunicação pessoal está prejudicada pela situação que estamos vivendo, pois muita coisa não poderá ser dita e muita coisa terá que ser passada de forma diferente do que é na realidade em uma rede social. Assim, eu vou usando as entrevistas para passar um pouco de cada situação.Nas entrevistas tenho sempre passado o que posso no momento.
Peter Eduardo Siemsen
16 de Agosto de 2013
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